A criança e o urubú

 
 
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A fotografia é de uma menina sudanesa, que estava se arrastando em direção a um posto de alimentação. Foi registrada pelo fotógrafo sul-africano Kevin Carter, em 1993. Foi adquirida pelo New York Times, ganhou o prêmio Pulitzer de 1994 (mais importante prêmio jornalístico do mundo) , e deu mais resultado do que qualquer outra reportagem para chamar a atenção sobre a fome no continente africano. Porém, levantou a questão que acompanhou o fotógrafo até sua morte:

 O que ele tinha feito para salvar a criança?

Todos queriam saber, e Carter dava diferentes versões. Chegou a dizer que esperou cerca de vinte minutos para que o abutre fosse embora e, como tal não sucedia, rapidamente tirou a foto, espantou o abutre açoitando-o, e abandonou o local o mais rápido possível.

Muitas vozes se levantaram na época contra a atitude de Carter, comparando-o de certa forma ao abutre e questionando-o porque não tinha ajudado a criança.

Mas os fotógrafos tinham um código de conduta rígido que implicava neste tipo de cenários: nunca se aproximavam das pessoas famintas pela possibilidade de transmissão de doenças.

“Essa foi a minha foto de maior sucesso, depois de dez anos como fotógrafo, mas não quero pendurá-la na parede. Eu a odeio”
declarou em entrevista a revista American Photo.

Ao longo da sua carreira, Carter vivenciou incontáveis episódios de violência em teatros de guerra e de desastre humanitário.
Carter era um dos integrantes do chamado Bang-Bang Club, um grupo de quatro amigos, fotojornalistas, que se dedicaram a expôr aos olhos do mundo o brutal regime do apartheid sul-africano (um regime que negava aos negros da África do Sul os direitos sociais, econômicos e políticos. O governo era controlado pelos brancos de origem européia (holandeses e ingleses), que criavam leis e governavam apenas para os interesses dos brancos. Aos negros eram impostas várias leis, regras e sistemas de controles sociais, como proibição de casamentos entre brancos e negros – 1949, proibição de circulação de negros em determinadas áreas das cidades – 1950, proibição de negros no uso de determinadas instalações públicas, ex.; bebedouros, banheiros públicos – 1953 e criação de um sistema diferenciado de educação para as crianças negras – 1953).

FotoI[1]

A foto acima também foi agraciada com o prêmio Pulitzder e foi tirada por Greg Marinovich no exato momento em que um homem após ter sido perseguido e incendiado pela multidão leva uma golpe de facão na cabeça . Os senários, além da África do Sul, são a ex-Yugoslavia e o Sudão.

Dois meses depois de ter recebido o prêmio pela  imagem da criança e o urubú, amargurado e castigado pela culpa, psiquicamente instável e destroçado pela morte de um dos seus amigos íntimos e elemento do Bang-Bang Club, Ken Oosterbroek , Kevin Carter suicidou-se.
Em 27 de julho de 1994, levou seu carro até um local da sua infância e utilizou uma mangueira para levar a fumaça do escape para dentro de seu carro. Ele morreu envenenado por monóxido de carbono aos 33 anos de idade.

O fato continuou tomando grandes proporções, sempre dividindo opiniões:

Em 1996, a banda do País de Gales, Manic Street Preachers, conhecida por seu comportamento radical e declaradamente socialista, ironizou a atitude do fotojornalista com a canção “Kevin Carter”, do álbum Everything Must Go.

O documentário The Death of Kevin Carter: Casualty of the Bang Bang Club [A Morte de Kevin Carter: O Desastre do Clube Bangue Bangue] recebeu uma indicação ao Oscar em 2006.

O filme Amor Sem Fronteiras (2003), estrelado por Angelina Jolie, recria em cena a imagem da foto captada por Kevin Carter.

 Kevin Carter Kevin Carter

Deixem suas opiniões. Vocês acham que Carter não agiu corretamente apenas tirando a fotografia? O que seria ético para vocês neste caso? Vocês acham que o fato da fotografia representar a fome e a situação destas pessoas no mundo todo os ajudou de alguma forma? Deixamos aqui nossas perguntas para todos.

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5 Respostas para “A criança e o urubú”

  1. Adriana Tanaka Diz:

    Não vou entrar no merito do fotografo ter ou não ajudado a criança. Acho que mesmo que ele tentasse ajudar não poderia ter feito muito. Esta criança certamente ficaria num campo de refugiados disputando comida com outras pessoas famintas e igualmente morreia de fome porque os mais fortes iriam comer e ela seria largada a propria sorte por já estar fraca. Seria menos uma boca pra comer! Com um monte de gente faminta, pra que gastar comida com uma criança já moribunda? Acredito que foi deixada para tras pelos familiares, estes preferiram salvar outros que estavam e melhor situação, ou até mesmo se salvar.

    Esta foi apenas uma menina, quantas outras não estavam na mesma situação?

    Deveriam ter centenas de cadaveres espalhados por todos os lados com abutres igualmente a espreita e igualmente tentando sobreviver.

    De quem é a culpa? Do fotografo?

    A culpa é nossa!

    A culpa é da humanidade inteira.

  2. Quem sou eu para julgar.Como disse Jesus “Atire a primeira pedra quem não tiver pecado”

  3. A máquina fotográfica não faz de ninguém um bom fotógrafo. O que faz um fotografo são os olhares, os pontos de vista,suas opiniões expressas em apenas um click.O jeito de ver o mundo.E foi exatamente o que Kevin Carter
    fez ao tirar esta foto,retratou o mundo da maneira que ele se encontrava.

  4. É quase impossível ser humano num lugar desses, acredito que ele não tenha culpa. Como diz o cometário abaixo, haviam muitas outras pessoas nesta mesma situação, não dá pra ser o salvador da pátria e tentar ajudar a todos.
    A foto é magnífica, diz muita coisa sobra a sociedade, a política, mostra como o sistema é falho e a fome na África é literalmente financiada. Mas afinal, a quem ela interessa?

  5. ele apenas retratou o cenário do mundo em que vivemos, onde poucos ganham muito e muitos ganham pouco ou nada!

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